Pela terceira vez os vendo ao vivo, não há mais nenhuma surpresa. Não haverá ali uma banda que simplesmente vai para mais um dia de trabalho, bate o cartão e vai embora. Ou uma apresentação performática cheia de firulas, telões e efeitos de luz. A certeza é que a banda irá entrar e tocar como se aquelas próximas duas horas fossem as últimas de sua história. Mesmo para quem não seja fã ou não conheça muito, presenciar os caras ao vivo é saber que não se está diante de algo comum. Já fazem 8 anos desde o Self-Titled, mais de 10 anos desde o White Pony e também mais de 20 anos desde as demos do que seria o Adrenaline. E ainda assim, todos esses álbuns são tocados como se acabassem de ser lançados. Como se Change acabasse de chegar às rádios ou 7 Words fosse o single da vez. Há uma vontade incrível da banda em dar o máximo.
Indo do mais gutural grito acompanhado de uma guitarra de 8 cordas ou do mais sensual e envolvente dos climas, em vários momentos o Credicard Hall foi abaixo no dia 4 de abril.
Se entre 1995 e 2000 houve o boom do new metal, com a fórmula da gritaria alternada com momentos de calmaria, alguns versos de rap e uma pick-up criando efeitos, e os Deftones foram colocados nesse balaio, já há muito tempo eles conseguiram se distanciar e avançar para além desse rótulo.
Há algo diferente e raro naquela banda. Que não faz vender 20 milhões de discos ou colocar 80 mil pessoas num estádio. Mas que os torna simples e grandes.
Vida longa!
“The ocean takes me into watch you shaking
Watch you weigh your powers
Tempt with hours of pleasure
Take me one more time
Take me one more wave
Take me for one last ride
I’m out of my head!”