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Ao término da primeira etapa da decisão da Liga dos Campeões de 2004-2005, o time do Liverpool perdia de 3×0 diante do Milan. Excelente equipe do Milan com Shevchenko, Crespo e Kaká voando baixo. O segundo tempo viria e estava anunciada a goleada. Mas por um dos motivos que fazem o futebol apaixonante, a imprevisibilidade, o time inglês reagiu. Inspirado pelos gritos da torcida prometendo jamais abandoná-lo ou talvez por alguma famosa frase do folclórico Bill Shankly dita no vestiário, o Liverpool de forma heróica empatou no tempo regulamentar e venceu nos pênaltis, sagrando-se pela quinta vez o melhor time da Europa.
 
É de Bill Shankly, técnico (e torcedor) do Liverpool da década de 60 e começo de 70, a frase que diz que o futebol é muito mais que a questão de vida ou morte.  
 
Não é nenhum exagero dizer que o futebol está além da esfera esportiva. Troca-se de emprego, de família ou de pátria, mas não se substitui o time de coração. O time representa o posicionamento diante do grupo, as ideias em que se acredita, o lugar de onde se veio. 
 

O São Paulo que eu aprendi a torcer com meus 11, 12 não era um time brilhante. Contava com bons nomes como o de França, um dos mais completos atacantes que tenho na memória. Belletti na lateral direita e Fábio Aurélio na esquerda. Vágner e Edu no meio de campo. Raí já em fim de carreira. Não lembrava nem de longe a equipe que ouvia falar do começo dos anos 90. Ainda assim, meu orgulho de moleque era grande.


Como cada torcedor conhece as particularidades de seu clube, o são-paulino ao acompanhar seu time aprende que mesmo com uma equipe sem brio o time costuma chegar. Ao se dar conta do seu tamanho, o São Paulo chega. A história parece empurrar. A história exigente que não se sente satisfeita com nada que não seja o melhor. Que nunca aceitou estampar no peito algo que não representasse o topo.

 Mesmo na péssima fase que se encontra, se há um time pra ganhar 10 partidas seguidas e assumir o lugar em que mais se sente bem, esse time é o São Paulo. 

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 Humildemente esse blog parabeniza os 20 gloriosos anos de Rogério Ceni defendendo o gol Tricolor. Em plena forma, em alto nível. Nas horas boas e ruins mantendo o mesmo profissionalismo e amor ao clube. 

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 E naquele fim de ano de 2005, o Liverpool encontrou pela frente o São Paulo, campeão da América do mesmo ano. Na ocasião o time inglês estava há 11 jogos sem perder e 1000 minutos sem levar um único gol.

 A bola não iria balançar as redes do São Paulo naquele dia.

 Talvez passasse pela cabeça do desolado Gerrard ao final da partida como aquele goleiro simplesmente parecia preencher o gol. Como aquela falta não entrou. Como o gigante Liverpool não conseguiu ser maior que os 1,69 de Mineiro.

 O São Paulo atravessava o mundo no caminho de volta como dono dele mais uma vez.

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