Se Sansão derrotou 600 filisteus com uma vara, houve um samurai que fez um feito quase tão grande quanto. Com seu jeito nada tradicional de lutar e empunhar a espada, Musashi derrotou de uma só vez, 70 espadachins da mais famosa escola da época.
Mas não somente por esse episódio, Musashi se tornou o maior samurai de todos os tempos. Entre tantas versões contadas, romances e registros históricos, com sua vontade de ser o “imbatível abaixo dos céus”, saiu vencedor de cerca de 60 duelos de vida ou morte. Os mais notáveis contra o grupo dos Yoshioka e o gênio Sasaki Kojiro. Tendo empatado apenas uma vez com um habilidoso lutador de bastão.
O que torna Musashi interessante não é o resultado de suas lutas, mas o modo como decidiu se aventurar pelo mundo cheio de etiquetas das técnicas de espada. Não que não tivesse uma profunda espiritualidade em suas ações, tanto que além de suas histórias deixou um livro respeitado até hoje, mas por seu aparente descaso com a rigidez do budô, as formas e a aparência. Desafiava muitos figurões quando ainda não era credenciado para isso. Usava uma espada de madeira como arma principal, que era considerada por muitos uma atitude arrogante. Ou de um tolo caipira. Nos dois casos, não deixava de ser.
O fato é que Musashi nunca representou o herói idealizado, talentoso por natureza, mesmo quando já estava consolidado como espadachim, sendo requisitado por feudos. Compensava a falta de habilidade natural com improvisação, movida por sua intuição fora do comum e imensa auto-confiança. Era ótimo estrategista e tinha grande força física, além de ter contado com a sorte em muitos de seus duelos como ele mesmo afirmou.
Contra Kojiro, o mais habilidoso espadachim de sua época, descobri um tempo depois de terminar o livro de Eiji Yoshikawa que houve uma série de detalhes usados por Musashi para chegar à vitória. Estudioso dos elementos da natureza, Musashi procurou ter atenção com todos eles. Chegou ao duelo de barco, impedindo que Kojiro correse até às águas e fizesse uso do seu elemento. Prendeu seu cabelo para dar a sensação de uma falsa projeção da direção do vento, desnorteando seu adversário e o privando de mais um elemento. Atrasou em relação à hora marcada, deixando Kojiro impaciente e mantendo o sol (elemento fogo) às suas costas. Usando como arma o remo de madeira (elemento de seu nascimento), Musashi estava em ampla vantagem. À Kojiro, só restava o metal de sua espada. E a derrota.